História

A Cooperativa Ecológica Coolméia foi fundada em 1978, em Porto Alegre, e deixou de existir nos anos 2000.

A Coolmeia foi a grande viabilizadora primeiramente no Rio Grande do Sul e depois no Brasil da produção e comercialização de produtos para uma alimentação orgânica, de grande capacidade nutricional.

A Coolmeia viabilizou também a vida de centenas de famílias produzindo orgânicos e a formação de milhares de consumidores de produtos de excelente qualidade. O contato entre os consumidores e os produtores passou a ser pessoal. O alimento passou a ir para a mesa das pessoas vindo de consumidores conhecidos. A visitação à área de produção passou a ser incentivada.

Durante seu caminho, criou as pioneiras Feira dos Agricultores Ecologistas – FAE, em 1989, na primeira quadra da Av. José Bonifácio, no Bom Fim, a Feira da Cultura Ecológica e a Feira da Biodiversidade no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura, no Menino Deus, todas em Porto Alegre.

Sonhos e esperanças de Cooperação, conjuntamente com a união e mútua ajuda dos associados, fizeram a COOLMÉIA tornar-se uma realizada social e econômica com ampla atuação na sociedade.

Somos Ecologistas e Naturistas, e é através do Cooperativismo e da Autogestão que são realizadas nossas relações e nossa produção econômica.

A Cooperativa construiu-se internamente a partir da congregação de três categorias: associados operacionais, associados produtores e associados consumidores, sendo uma de suas prioridades a integração desses associados.

COOLMÉIA congregou mais de mil associados e através do trabalho cooperativo, atuou no sentido de promover:

  • A Alimentação Natural
  • A Agricultura Ecológica
  • A Defesa do Meio Ambiente
  • A Autogestão e a co-gestão

Linha do Tempo

1978 – 23 de janeiro – reúnem-se vinte e quatro associados da “GRANDE FRATERNIDADE UNIVERSAL-GFU”, centro espiritualista, para constituirem a “Cooperativa dos Membros da Fundação Dr. Serge Raynaud de La Ferriére Ltda.”. Instala-se na garagem da sede da GFU, na rua Dr. Barros Cassal, em Porto Alegre, Brasil.

1979/80 – nova sede à rua Gonçalo de Carvalho. Começa a empregar o nome fantasia de “Cooperativa Coolméia”. Atendimento ao público entre 18 e 20h. O caráter do trabalho era de voluntariado. O ano 1979 foi marcante pelo rumoroso escândalo de contaminação de tomates por mercuriais; no primeiro semestre 80 ocorre o 1º Encontro de Agricultura Biológica em Porto Alegre com a presença do engº agrº francês Claude Albert; começam a surgir na cooperativa as primeiras propostas concretas de interligar cooperativismo com ecologismo; propaga-se a necessidade da agricultura orgânica; é também em 80 o primeiro acampamento de sem-terras na Encruzilhada Natalino, no Rio Grande do Sul.

1981 – ainda na mesma garagem, a Cooperativa amplia seu horário de atendimento, a partir das 15h porque um dos associados passa a ser remunerado. Abertura pelas manhãs de terças-feiras devido ao recebimento das primeiras verduras reconhecidamente orgânicas.

1982 – na mesma garagem, agora com um setor de estoque, o entreposto abre todos os dias da semana, de manhã e de tarde. As atividades eram feitas por dois associados remunerados. Conselheiros e associados faziam atividades de compras, transportes de produtos e outras atividades, de forma voluntária. A auto-gestão aparecia embrionariamente. Neste ano aconteceu a separação institucional da GFU. No Rio Grande do Sul é constatada contaminação das águas do Guaíba por venenos agrícolas organoclorados. Pela primeira vez, um estado da Federação brasileira faz uma lei de agrotóxicos (a lei brasileira era de 1934), resultado de um trabalho cooperativo de um grupo de mais de 50 entidades. Este fato teve repercussão internacional. A indústria química entra contra o Estado, no Supremo Tribunal, invocando a inconstitucionalidade desta lei.

1982, Julho – a Coolméia com as ONG’s ecologistas AGAPANADFG-Amigos da Terra (atual Núcleo Amigos da Terra Brasil), alugam uma casa da rua Gen. João Telles, 522, no Bom Fim, próximo ao centro de Porto Alegre. Já eram quatro os operacionais, em turnos de cinco horas cada um. Os lanches, pães e outros produtos eram feitos por associados fora do espaço da Cooperativa. Iam aos domingos no Brique representar a Coolméia, vendendo seus produtos. No RS outro grande escândalo de repercussão nacional: a contaminação agora é com moranguinhos. Acontece na Assembléia Legislativa e no Parque Harmonia a “Semana Alternativa de Meio Ambiente”.

1984/85 – outro salto quântico da Cooperativa, que aluga sozinha a casa vizinha, na rua Gen. João Telles, 524. Passa a internalizar o processo produtivo de lanches e pães para a lancheria e restaurante. Profissionaliza o sistema de compras na busca de fornecedores pelo interior. Organiza os setores de entreposto, estoque, compras, cozinha, lancheria e a quitanda. Amplia-se o horário de atendimento.

1986 – a Coolméia propõe projetos que apontam mais explicitamente para o futuro. Organiza a feira ecológica “Tupambaé” (Terra de Deus – em tradução livre do guarani) onde há um processo de construção cooperativo, no Parque Farroupilha, em Porto Alegre..

1987 – Dentro das atividades sociais, dois fatos importantes. Um foi o início da escolinha para filhos de associados, cuja continuidade está guardada para o futuro. A outra foi a “II Tupambaé-Feira Ecológica“, no parque Ramiro Souto da Redenção, sob a lona do circo “Beto Carreiro”.

1988 – ano fundamental para a história da Cooperativa. Reformulação dos Estatutos Sociais. Passagem do nome fantasia “Coolméia” para ser sua razão social. Integração de três tipos de cooperativas – consumo, trabalho e produção. Foi constituída uma anuidade para integrar o FATES. Ocorre a “III Tupambaé – Feira Ecológica” realizada pela Coolmeia e a Escola Amigos do Verde.

1989 – a Coolméia vive outro salto quântico. Começa a vigorar o novo Estatuto Social. Em agosto é eleita a nova gestão e os primeiros Conselheiros Educativos da Cooperativa. A categoria dos servidores elabora seu primeiro regimento. No dia dedicado à alimentação e à luta contra os agrotóxicos, a Coolméia monta na José Bonifácio, a Feira de Agricultura Ecológica, uma vez por mês. Em julho é sancionada a Lei Federal dos Agrotóxicos.

1990 – a AGAPAN sai da casa nº 522. A Coolméia passa a ocupar os dois prédios, reformando a casa 522 para instalar o entreposto e sua quitanda. O prédio ao lado, 524, dispõe agora de lancheria, restaurante, cozinha, escritórios e uma padaria/confeitaria. Início da construção de uma nova logomarca Coolméia e da programação visual.

1991 – com o progressivo aumento da produção, começa a haver maior regularidade de fornecimento na loja de produtos olerícolas, e vai conquistando, cada vez mais, a diversidade de verduras e frutas. Pela primeira vez a Cooperativa começa a ter arroz integral tipo japônico (grão redondo) produzido ecologicamente. Para os naturistas, este é um dos passos mais importantes. A “Feira dos Agricultores Ecologistas“, depois de um ano sendo quinzenalmente, propõe-se a ser semanal. Os proprietários das duas casas da João Telles pedem sua desocupação. O Conselho Administrativo solicita uma Assembléia Extraordinária para formação de um “Fundo Mudança”. Neste ano a contribuição da anuidade para o fundo FATES passa de opcional a obrigatória.

1992 – após longas buscas, encontrou-se espaço no prédio da Igreja do Santíssimo Sacramento e Santa Teresinha, da comunidade carmelita, na rua José Bonifácio, próximo à av. Osvaldo Aranha, continuando-se no Bom Fim.

1993 – há a eleição do segundo Conselho dentro do novo Estatuto Social. Maior ênfase empresarial à Cooperativa.

1994 – a Coolméia abre nova feira no bairro Menino Deus, com o apoio da Secretaria de Agricultura do Estado, na área do antigo Parque de Exposições Agropecuárias do RS – av. Getúlio Vargas, 1384. É a Feira da Cultura Ecológica, realizada nas manhãs dos sábados.

1999 – junho – Início da Feira da Biodiversidade, no pátio da Secretaria da Agricultura do Estado do RS – av. Getúlio Vargas, 1384, sempre às quartas feiras à tarde, das 14 às 19h.

Fontes:

  • Website da Coolmeia datado de 1º de dezembro de 2005
  • Informativo “Rapidinho“, várias edições